Saí de casa, avisando à minha host mom que ia na Starbucks. Eu ainda não havia me acostumado com o fato de que ali havia uma a cada esquina. No Brasil, eu só via uma quando ia raramente à SP. Entrei lá e vi que era um pouco diferente das do Brasil, mas meio parecida. Fui ao balcão, mantendo em mente o fato de ter que falar sempre em inglês aqui.
- Bom dia, moça, o que deseja?
- Humm... - Fiz meu pedido seguindo apenas pelas imagens do cardápio.
- Qual o seu nome?
- É Débora. - Ele escreveu na caixinha do sanduíche. Mas ele escreveu "Debborah".
- Para viagem ou não, Debborah? - O sotaque deles era legal, mas mais difícil de entender. Eu estava tentada a dizer que não, que ia ficar e comer ali, mas tinha que voltar logo para casa.
- Para a viagem. - Respondi, sorrindo. Ele me deu meu sanduíche e meu copo e desejou um bom dia. Saí de lá pensando no quanto Londres era diferente do Brasil. Andei pelas ruas até chegar em casa. Ao adentrar a grama (as casas do meu bairro não tinham nem cerca), o cachorro da família veio me cumprimentar. Seu nome era Spike, ele era um labrador. Acariciei sua cabeça e fui entrar. Dessa vez, lembrei de olhar a caixa de correio. Abri a porta. Elizabeth sorriu pra mim.
- Oi, minha querida! - Era legal ouvi-la me chamar de "my dear", me fazia sentir bem.
- Oi, Liz. - Falo, sorrindo. - Trouxe a correspondência.
- Você é um anjo, Debby, a Sasha nunca faz isso pra mim. - Sasha era a filha dela, minha host sister, de 15 anos. Eu tenho 16.
- Sem problemas. - Digo, indo pro meu quarto, que era o de hóspedes, e pegando o notebook. Agora eu ia ligar o Skype e falar com minha verdadeira família. O primeiro dia era o mais difícil. Mas eu estava no sétimo, a primeira semana já havia acabado. Agora, só faltavam os próximos seis meses.

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